Até algum tempo atrás, a pashmina pertencia ao universo da raridade, qualidade e refinamento. Tudo mudou e agora um dos símbolos do Nepal recebe estímulos conjuntos para recuperar o intrínseco valor ao que era associado.
A perda de reputação afetou substancialmente os negócios. De acordo com Man Pushpa Shrestha, presidente da Associação das Indústrias de Pashmina do país (NPIA), de 1999 a 2000 foram exportados produtos originais valendo Rs 5,66 bilhões, caindo para Rs 1,41 bilhão entre 2001 e 2002 devido à forte presença de produtos falsos no mercado.
O serviço de notícias do Himalaia nota que a associação está fazendo boa parte do trabalho de recuperação. Recentemente, entregou um cartão de ajuda com o logo Chyangra Pashmina – em razão da subespécie da cabra – para o órgão de turismo do Nepal (Nepal Tourism Board), a fim de recriar e estimular o reconhecimento de marca da pashmina original.
Com o estabelecimento da marca Chyangra Pashmina e o registro do logotipo, a exportação começou a melhorar. Segundo a NPIA, durante o ano fiscal 2010-11, foram exportados para o mercado internacional produtos originais no valor de Rs 1,590 bilhão.
O cartão, distribuído em pontos turísticos na fronteira e no aeroporto Tribhuwan International (TIA), oferece aos visitantes números de telefone e também informações referentes à típica lã pashmina local, extraída através de um método inofensivo, obtendo mais fibras regularmente por vários anos.
Em cada primavera, pequenas quantidades de fibras são retiradas de uma mesma cabra. Os trabalhadores as transformam manualmente em fios e assim dão origem a um dos mais leves, exoticamente delicados e agradáveis tecidos do mundo, usando técnicas passadas por gerações e mantidas até o presente.
Para divulgar o feito, a associação pediu ao governo Rs 12,4 milhões para ações de branding e marketing. Além disso, pretende realizar um programa de interação entre exportadores de pashmina locais, ampliando o conhecimento sobre produtos genuínos, durante muito tempo confundidos com outros feitos em massa com tecidos sintéticos e lã mais barata na China e na Índia.
A priori, o governo também está fazendo sua parte montando um pequeno laboratório em Catmandu para provar que seus bens são reais. Enquanto isso, Mandu Bahadur Adhikari, chefe de um órgão de produtores de pashmina nepalesa, disse que também monitoram importantes mercados no Ocidente.
O Nepal não é o único país a defender a pashmina. Produtores na Caxemira, controlada pela Índia, também viram uma forte queda nas exportações em meio à concorrência de produtos mais baratos e por isso também começaram a colocar selos especiais em seus produtos.
A marca já foi registrada em 40 países e está em processo de ser em mais sete. Membros da associação podem usar a marca registrada em suas pashminas com suas próprias marcas, garantindo a autenticidade do produto e com isso reverberando mundialmente a tradição em fazer somente o melhor, sempre. |
A Catalunha é, hoje, conhecida por sua gastronomia sofisticada e por ser dona de um dos mais renomados times de chefs de cuisine do mundo. Ferran Adrià, Sergi Arola, Joan Roca e Carme Ruscalleda são algumas das preciosidades da região. Mas os tesouros da Catalunha não param por aí. Seus vinhos são apreciados desde a época em que os romanos ocupavam toda a Europa. Depois de um período de esplendor durante o Império Romano, o cultivo de uva decresceu durante a era muçulmana, e voltou com força na Idade Media até chegar aos nossos dias.
Mas foi somente no século XIX que surgiram os primeiros experimentos que, anos depois, dariam origem ao cava, o “champanhe espanhol”. Quando as pesquisas para a elaboração do vinho espumante começaram a ser realizadas por volta de 1872, seus idealizadores, José Raventós, Luis Justo Villanueva e Agustín Vilaret de Blanes apostavam no tradicional método champanhes, o mesmo utilizado pelo famoso vinho espumante francês, o champanhe. Mas em 1887 a maior região produtora de vinho, Penedés, foi devastada pela praga da filoxera, arruinando os cultivos de uva no país. A tragédia levou os catalães a optarem por uma renovação das variedades utilizadas na bebida e introduziram espécies brancas de qualidade autóctones, em substituição às de variedades negras. O fato determinou o nascimento do cava, que, em um experimento que deu certo, ganhou personalidade e características próprias.
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Para o enólogo Manuel Durán, inicialmente, o que hoje chamamos “cava” não passava de uma imitação do champanhe francês, elaborado com uvas chardonnay e pinot noir. Mas a utilização das três variedades autóctones, xarello, parellada e macabeo, conferiram-lhe autonomia e identidade. “Hoje existem cavas que são elaborados exclusivamente com chardonnay e pinot noir, e se não fosse pelo clima mediterrâneo catalão, se pareceriam mais a um champanhe que a um cava”, explica Durán.
Das três espécies principais utilizadas na produção do espumante, cada uma lhe aporta características que se complementam. “O macabeo proporciona o equilíbrio na acidez, textura fina e aroma sutil; o xarello lhes dá corpo e sabor; e a parellada leva a suavidade e o frescor”, explica Manuel Durán. Também podem ser utilizadas uvas como a chardonnay, subirat ou malvasía riojana, e as tintas garnacha, monastrell, pinot noir e trepat, esta última somente para a elaboração do cava rosado.
De aroma tostado-terroso e afrutado, de sabor mais intenso que o champanhe e com menor grau de acidez, o cava se firma na conquista de apreciadores ao redor do mundo. No Japão, Estados Unidos, Reino Unido, Bélgica e, claro, na Espanha, o cava é o preferido em momentos de comemorações, celebrações ou de uma simples refeição à mesa. Segundo dados do Conselho Regulador do Cava, o vinho espumante espanhol foi o mais exportado em 2009, desbancando, com seus 131 milhões de garrafas, seu famoso rival, o champanhe que vendeu 112 milhões de garrafas. As vendas de 2010 aumentaram 10%, sendo que, de 10 garrafas que saem das bodegas, seis são exportadas a mercados internacionais.
O sucesso da bebida em outros países deve-se, sobretudo, à qualidade altíssima do produto. Os invernos mais suaves e verões não muito calorosos, chuvas moderadas e bem divididas ao longo do ano e os solos calcários são condições ideais que, unidas, garantem o perfeito estado das espécies de uvas do cava. Além disso, a excelente matéria-prima vem de uma legislação muito estrita, com exaustivos controles, assegurando ainda mais a qualidade do produto final.
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Região do cava
A chamada “região do cava” se estende por 32.000 hectares repartidos entre 158 municípios das províncias de Barcelona, Tarragona, Lérida, Gerona, Valencia, La Rioja, Zaragoza, Alava e Navarra. O Penedés, na Catalunha, é dono de nada menos que 95% da produção nacional do cava, com seu centro em Sant Sadurní d´Anoia, que, por sua vez, produz 75% do total. É nele onde se encontram as bodegas líderes do setor: Codorniu e Freixenet. Ambas concentram 82% das vendas do espumante.
Produção
O cava é elaborado de maneira bastante particular, já que é realizado um segundo processo de fermentação dos açúcares próprios do vinho. Essa segunda etapa acontece quando o vinho já está na garrafa, o que produz um gás carbônico de origem endógena, o que permite a liberação da espuma e das borbulhas, uma vez que a garrafa é aberta. Esse método de fermentação se define como “champanhes” ou “tradicional”.
O segredo de um excelente cava está também ligado ao momento de repouso nas bodegas, que devem contar com um piso de terra ou de cascalho para garantir a umidade do ambiente. Além disso, o espaço requer uma boa ventilação, a fim de renovar o ar circulante. As garrafas são mantidas em posição horizontal e, geralmente, em pequenas células individuais que se organizam em forma de blocos empilhados, reunidos de acordo com o tipo de procedência. A temperatura ideal para o armazenamento e o envelhecimento de um cava é em torno de 11 e 18ºC, dependendo da época do ano.
O tempo de repouso mínimo do espumante espanhol é de nove meses, enquanto isso, as borbulhas de gás carbônico produzidas na segunda fermentação se dissolvem no vinho à medida que os aromas tomam corpo. É possível prolongar o período de descanso do vinho em quinze meses, chegando assim a um reserva, e um mínimo de 30 meses para a um gran reserva.
Os cavas se classificam segundo o percentual de açúcar que possuem.
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Classificação dos cavas segundo percentual de açúcar:
Brut nature – sem adição de açúcar.
Extra brut – até 6 gramas de açúcar por litro.
Brut – até 15 gramas de açúcar por litro.
Extra seco – entre 12 e 20 gramas por litro.
Seco – entre 17 e 35 gramas por litro.
Semisseco – entre 33 y 50 gramas por litro.
Em geral, o brut nature e o extra brut são indicados sempre para refeições, os bruts para refeições e sobremesas e os secos sempre para sobremesas e aperitivos.
O cava deve ser servido à temperatura de 7ºC. Não é ideal esfriar a garrafa no congelador porque perde o aroma e o sabor. A melhor opção é refrescá-lo na geladeira durante quatro horas antes de ser consumido. A taça mais indicada é a tipo "flauta", porque sua forma limita a evasão das borbulhas. Se a coroa de espuma é consistente e as borbulhas muito pequeninas, formando uma fileira ascendente, pode ter certeza de que se tem em mãos um grande cava.
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Nome CAVA
O nome cava vem das covas nas quais a bebida era armazenada no século XIX. Mas não foi sempre assim que o espumante espanhol foi chamado. Com a semelhança no método de produção, seus produtores inicialmente batizaram a bebida de “champanhe”. Mas, em 1883, a Espanha foi obrigada a assinar um acordo no qual somente era permitido chamar de “champanhe” o vinho espumante produzido na região de mesmo nome na França. O curioso é que o resto dos países (norte-americanos, chilenos, entre outros) pode elaborar vinhos espumantes com essa denominação. Com tal acordo, o cava, que já tinha características próprias, ganha também um nome único. |
Uma marca sem história e sem o peso de sua tradição não é uma marca de luxo. Mas uma grife com história, mas sem um elemento contemporâneo que mostre que pertence à nossa época, é uma grife parada no tempo. No campo da moda, que se alimenta mais que qualquer outro de novidades, isso é ainda mais verdadeiro. Algumas maisons sentiram na pele o fracasso temporário porque não deram atenção a esse requisito. Mas sempre há tempo de corrigir esse descompasso. E a situação é revertida com a contratação de um novo talento que compreenda a história da marca e faça uma projeção de como ela se apresentaria nos dias de hoje. Isso aconteceu com a Gucci nos anos 1990 e a chegada de Tom Ford à direção criativa saneou as contas da grife. E com a Balmain em 2006, quando, depois de cerca de duas décadas de ostracismo, Christophe Decarnin foi contratado.
Marca que nasceu das mãos de Pierre Alexandre Claudius Balmain em 1945 e cuja característica principal era a arquitetura das roupas, com destaque para um blazer – simples, porém extremamente bem acabado –, e até pouco tempo atrás reviveu pelo talento de Decarnin, o chic mais rock`n roll da história da moda. Decarnin provocou desejo – atire uma pedra quem nunca sonhou com as calças skinny que mais parecem costuradas ao corpo da modelo ou com a jaqueta militar com ombros marcados – e trouxe contemporaneidade a uma marca conhecida por sua elegância singela.
Mas e por que falar da Balmain justamente agora, dois anos depois da icônica coleção de 2009, que trouxe as peças acima mencionadas e projetou Decarnin? Por que pensar na grife justamente agora que Decarnin a deixou e seu posto foi ocupado por Olivier Rousteing? Porque, para delírio das consumidoras brasileiras, a grife inaugura sua primeira boutique em solo nacional em fevereiro de 2012 no shopping Cidade Jardim. E, para compreender seu estilo hoje, vale conhecer melhor sua história.
Uma nova mulher
Fundada em 1945, assim que a Segunda Guerra Mundial acabara, a Balmain bebeu da mesma fonte que a Dior e visitou um estilo elegante, feito para mulheres cansadas das restrições do duro período do conflito. Em grande parte graças à experiência adquirida por Pierre em duas grandes maisons da época: a Molyneux e a Lelong. À frente de sua grife, marcou um estilo. “Criava-se a imagem de uma mulher ativa, petulante, bem cuidada, elegante e com um toque de desenvoltura. Era o nascimento da ‘Jolie Madame’, que simbolizou perfeitamente os anos 50”, diz o site da grife. Entenda-se bordados, estolas e grandiosos vestidos. Estilo esse que se imortalizou no cinema, visto que Balmain criou o figurino de clássicos da telona como E Deus criou a mulher, que projetou Brigitte Bardot e seu olhar cândido-sexy para o mundo.
Nos anos 1970, o prêt-à-porter fez a marca se expandir e chegar a 200 licenciados. Quando Pierre Balmain morreu, em 1982, Erik Mortensen, seu primeiro assistente desde 1951, assumiu a haute couture da grife até 1990. A direção criativa passaria então por várias mãos até 1993, quando Oscar de la Renta chegou à maison. Ele ficaria até 2002. Somente em 2006 Decarnin chegaria e a Balmain voltaria ao topo da lista dos desejos fashionistas.
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| Loja de Balmain |
O que as brasileiras podem esperar da Balmain brasileira é a coleção primavera/verão 2012: influências da montaria, jaquetas inspiradas nas touradas, calças skinny, toques de dourado, muita cintura marcada e uma elegância não óbvia com espírito andrógino e sexy nos detalhes, como um decote ou um bordado. Ah, sim, e poderão acompanhar de perto o reinado de Olivier Rousteing e tirar suas próprias conclusões sobre o mais novo sucessor de Pierre Alexandre Claudius Balmain. |