A International Luxury Travel Market (ILTM) lançou um projeto para estudar a indústria turística de luxo. Além das tendências da oferta e demanda, a ideia é explorar o futuro das relações de negócios entre fornecedores e consumidores do segmento.
O último The Future of Luxury Travel, A Global Trends Report, lançado na metade do ano na ILTM Ásia, contempla uma perspectiva para os próximos três anos.
Segue abaixo um resumo das principais conclusões:
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Hospedagem
Considerado o componente mais importante em qualquer viagem, sendo a única exceção os destinos com natureza selvagem, a hospedagem de luxo se divide em três grandes subsetores:
- Hotéis de cidade: clássicos (The Pierre, em Nova York, ou Ritz, em Paris); boutique ou design (Bulgari, em Milão); hotéis de destino com ambientação excepcional (Monasterio, em Cuzco, Peru);
- Resorts e spas: hotéis de praia, de golfe, montanha, etc.;
- Villas e propriedades para locação com serviço de hotel.
De acordo com a Organização Mundial de Turismo (OMT), o número total de apartamentos no mundo é estimado em 18 a 20 milhões. Em Paris, líder do turismo mundial, existem 150.000 quartos de hotéis, sendo 1.500 deles (1% do total de oferta) considerados de alto padrão.
Dentro do segmento global de luxo, existem aproximadamente 200.000 quartos distribuídos por 200 destinos, gerando uma capacidade média de 1.000 por destino. Entretanto, a performance econômica das unidades habitacionais de luxo variam muito de região para região.
Transportes
Hospedagem e transporte compõem a essência das viagens. Com o aumento do turismo de massa e companhias aéreas com o conceito low cost, low fare, nem sempre transporte é sinônimo de luxo.
São quatro os setores de transportes considerados parte do turismo classe A:
- avião e aviões privativos: classes executivas e primeira classe;
- cruzeiros e trens: combinando hospedagem e transporte, cruzeiros podem oferecer muito conforto e segurança. Os principais são: Cunard, Crystal Cruises, Oceania e Regent Seven Seas Cruises.
Também existem barcos menores, que levam um número limitado de passageiros e são exclusivamente reservados para o público high-end: Silversea, Seabourn e SeaDream são alguns exemplos.
Consumidores de luxo
São três as categorias que diferenciam a demanda do luxo de acordo com seu poder de compra. São os famosos três As.
- Luxo absoluto: protegidos da flutuação econômica, têm pelo menos US$ 30 milhões em investimentos e são em torno de 80 a 95 mil no mundo.
- Luxo aspiracional: muitos executivos se enquadram nesta categoria. Eles detêm em torno de US$ 1 milhão em investimentos e são estimados entre 8 e 10 milhões no mundo.
- Luxo acessível: viajantes desse grupo fazem do luxo componente essencial no seu estilo de vida, mesmo tendo que fazer escolhas para conseguir pagar por isso. Com uma renda mínima de US$ 100 mil, esse tipo de consumidor está rapidamente entrando no mundo das viagens de luxo e rejeitando destinos de massa.
Turistas de luxo
- Superativo: independentes, clientes educados que procuram por férias ativas e uma autêntica experiência de viagem. Como seu tempo é precioso, eles rejeitam roteiros e atividades planejadas. Sua aspiração principal é de férias altamente personalizadas, independente do preço.
- Explorador: viajante disposto a pagar um preço alto em troca de umas férias fora do comum, em locais inóspitos, por exemplo.
- Aspirantes: desejam alto nível de qualidade e conforto. Dão atenção ao status social e são muito exigentes em termos de serviço. Eles são mais seguidores do que pioneiros na escolha de destinos.
- Jovens: grandes usuários da internet que buscam incessantemente o melhor valor possível. Eles têm menos poder de compra do que a média do turista de luxo. Muitas vezes com duas rendas e sem filhos, eles podem viajar fora de temporada a preços atrativos. O comportamento típico deste tipo de cliente é de influenciar a todos os viajantes de luxo, que estão se tornando cada vez mais conscientes nas suas viagens.
- Padrão: turista que embarca em um avião ou cruzeiro de lazer para relaxar e mudar de ambiente.
Destinos
A geografia do turismo de luxo está mudando.
- Europa: Inglaterra, Alemanha, França, Itália e Holanda ainda lideram como principais mercados. Entretanto, a Rússia é o destino que cresce mais rapidamente. Cidades mais populares: Paris, Roma e Londres.
- Oriente Médio: região onde o turismo cresce mais rapidamente no mundo. Cidade mais popular: Dubai.
- Américas: a demanda pelo turismo doméstico ainda é dominante. Quando viajam para o exterior, os destinos mais procurados pelos americanos ainda são Canadá, México e Caribe. Já para os latino-americanos, Miami ainda lidera, sendo que Brasil e Argentina vêm crescendo rapidamente. Cidades mais populares: Nova York, Miami e Los Angeles. Na América Latina, Rio de Janeiro e Buenos Aires. Sendo que, no Brasil, alguns destinos menores vêm se destacando no turismo de luxo: Florianópolis, Fernando de Noronha e Trancoso, na Bahia.
- Ásia Pacífico: Japão e Austrália são os países onde os turistas mais gastam, mas Índia e China lideram quando se trata de volume. Cidades mais populares: Cingapura, Hong Kong e Tóquio.
Além desses destinos mais tradicionais, existe um número crescente de cidades ganhando popularidade entre os viajantes mais exigentes. Entre suas características comuns mais marcantes estão:
• mais privacidade / menos ostentação: um estilo de luxo mais tranquilo e discreto está se tornando preferência. Ilhas privadas, por exemplo, já fazem parte dos destinos mais desejados;
• aumento da demanda por paisagens intocadas: Brasil, Patagônia (Argentina e Chile), Austrália e Nova Zelândia aparecem na lista das inovadoras experiências de viagens em função da sua natureza intocada e paisagens de tirar o fôlego;
• interesse crescente por destino off-the-beaten-track (fora do roteiro): algumas áreas atualmente inexploradas por razões sociais ou políticas tendem a se tornar muito atrativas;
• destinos com apelo ambiental e cultural: destinos com cultura e tradições fascinantes como Israel e Peru crescem em popularidade entre os turistas mais abastados. A consciência ambiental e social deverá permear esse tipo de viagem.
Preço, o lado racional do luxo
Profissionais do luxo concordam que preço alto é um elemento relevante na definição do luxo. Pela perspectiva do consumidor, preço é um indicador relevante, pois segmenta demanda, ajuda a manter exclusividade, conexão com alta qualidade (portanto, valor é um fator-chave), diferenciação social, entre outros.
Tendências que afetarão o turismo de luxo
A Horwarth HTL (Hotel Tourism Leisure), empresa que conduziu a pesquisa, descobriu cinco grandes tendências que afetarão o turismo de luxo diretamente:
- destinos emergentes ganharão importância: a crescente demanda por autenticidade, novas experiências e exclusividade explodirá o interesse em locais que refletem a cultura e a tradição das comunidades locais;
- a necessidade da personalização continuará: a criação de uma relação pessoal baseada na confiança entre fornecedores e viajantes vai reger o segmento. Os serviços estilo concierge vão continuar crescendo. Esse tipo de relação mais próxima será ainda amplificada pelo uso avançado da tecnologia, principalmente o fenômeno das redes sociais;
- simplicidade e serviço perfeito: o commodity mais precioso, o serviço, deve funcionar sem erros. Desde o plano de retorno a sua casa, incluindo transporte, acomodações, serviços de transfer e passeios;
- recuperação da crise financeira: a demanda vai aumentar. Assim como outros setores da indústria, o turismo de luxo é sempre suscetível a variações em função da instabilidade política, desastres naturais e o medo do terrorismo, por exemplo;
- o valor atribuído a certas marcas e destinos continuarão impactando as decisões de viagens: a internet e as mídias sociais continuarão influenciando o planejamento e as reservas.
Desafios para consumidores e fornecedores
- Parcerias são vitais. Na distribuição, por exemplo, fornecedores de luxo devem trabalhar com parceiros que compartilhem o valor de suas marcas para vender seus produtos através de ótimos canais.
- Concorrência acirrada. Será cada vez mais difícil oferecer experiências únicas e manter um diferencial de mercado. O principal desafio será manter a experiência de viagem renovada. Comunicação constante com os consumidores será ponto-chave, especialmente via mídias sociais. Constante desenvolvimento de novos produtos se tornará vital para manter a visibilidade.
- Atrair novos talentos será cada vez mais difícil. Em uma indústria altamente competitiva, a falta de recursos é um problema mundial.
Em resumo, algumas palavras que permearam todo o estudo e que estão diretamente conectadas ao turismo de luxo são:
- segurança;
- conforto;
- privacidade;
- natureza.
Conclusão
Os viajantes de luxo hoje em dia sabem exatamente o que querem. Não são mais serviços ostensivos, mas calma, o luxo discreto e viagens com foco na autenticidade e em experiências.
O turismo gastronômico, por exemplo, está no topo de interesses especiais, juntamente com arte e cultura, roteiros fora do comum, paisagens espetaculares e reservas naturais. Destinos que ativamente preservam o ambiente e protegem as espécies animais ameaçadas atraem a atenção desse grupo.
Planejamento é muito importante. Como todos os turistas, os viajantes de alto padrão estão usando a internet para reservas, assim como para informações prévias e são participantes ativos de redes sociais como Facebook e Twitter. No entanto, eles valorizam a experiência dos agentes de viagens experientes e investem na construção de uma relação duradoura com o consultor. É especialmente com o setor de luxo que os agentes de viagem têm a oportunidade de construir uma clientela duradoura e valiosa.
Consumidores de luxo podem gastar excessivamente, mas gostam de saber que estão gastando com sabedoria e segurança. Alta qualidade justifica o preço.
Fornecedores também se destacam por um apetite crescente da busca do novo, experiências extraordinárias que vão garantir memórias ao longo da vida.
Nas áreas mais populares ainda permanecem os tradicionais: Europa Ocidental, EUA e Caribe. Mas os antigos destinos remotos, como Etiópia e Patagônia, estão se tornando ímãs para aventureiros ricos.
As viagens ao exterior estão crescendo rapidamente nos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Existe uma projeção de que 100 milhões de chineses viajem até 2020.
Por fim, existe uma convicção partilhada por todos os envolvidos nas viagens de alto padrão. A construção de um destino é um processo de longo prazo, requer investimento pesado e apoio para promoção e desenvolvimento.
À medida que avançamos em uma era pós-crise, o valor da parceria é maior do que nunca. |